David Luiz  AP Photo/Martin Meissner
David Luiz
AP Photo/Martin Meissner

Sem dúvidas que a época que mais o Brasil se veste de verde e amarelo, que mais estampa seu orgulho pela nação, até mais do que no dia “07 de setembro”, dia da independência do país, é na época de Copa do Mundo. Somos sim o país do futebol, quer uns gostem outros nem tanto. Na verdade, todos os países pelo mundo afora tem culturalmente um esporte número 1, e vários deles tem o “futebol” como o principal deles, afinal, é o esporte mais popular do planeta. Mas aqui, nesse país tropical e terra do samba, é o lugar onde o futebol é quase uma religião, é praticado em qualquer canto, seja na rua, no terreno baldio, nas escolas, em quadras poliesportivas, nos campos, nas favelas, nos condomínios de luxo, é uma linguagem popular, é o país onde uma criança nasce, e muitas vezes antes de falar ou andar, seguras pelas mãos de seus pais, chutam uma bola de futebol, e em seguida abrem aquele sorriso, uma alegria inocente que somente as crianças possuem, e que como em todo o país acompanhamos ao longo dessa copa do mundo, esses pequeninos gritando o nome de seus ídolos. Eu poderia ser redundante e ficar relacionando a perda desse sorriso que deixou crianças, adultos e idosos mais tristes devido a situação do nosso país, com tanta corrupção e o roubo de uma administração que teve o “poder” de dividir sua própria nação no apoio a uma seleção que sempre foi motivo de orgulho, símbolo de luta e de pessoas que defenderam e defendem as cores e a bandeira do Brasil… …mas não, ficamos tristes sim porque perdemos uma semifinal de copa do mundo. E é mais fácil superar uma dor quando antes mesmo de atirarmos a primeira pedra admita-se a derrota de maneira limpa e honesta. É por isso que a DOR É PRA SER SENTIDA !!! Que essa frase, presente no filme “A culpa é das estrelas”, e que os dias seguintes a maior derrota da história do futebol brasileiro que estamos vivendo até hoje, nos sirva de lição, pois quem ama o futebol está provando o sentimento da dor como talvez somente quem sofreu com a derrota da seleção em 1982 para a Itália na Copa da Espanha tenha provado. Porém, como diria o velho ditado: o sofrimento é opcional ! Ou seja, bola pra frente, pois em 2002 fomos nós que sorrimos, agora foram eles que nos deram a lição. LIÇÃO, acho que isso define a diferença entre quem é preparado e quem não é ou achava que estava. Os alemães nos deram uma lição na preparação da copa da Alemanha, sem roubos, sem desvios de dinheiro, sem sacanear seu próprio povo, com honestidade e números transparentes, e agora nos deram uma lição no futebol, onde chegaram antes de todas as seleções, se preparam, foram intensos em seus treinamentos, sem estrelismos e sem tratar seus jogadores como estátuas de ouro, apenas chegaram preparados e fizeram com competência e empenho o que se propuseram fazer, a defenderem seu país. Eu sou uma pessoa que não creio em lábaro fora do esporte ou de algum tipo de competição. Não acho que o ser humano deva odiar ou se opor a outro ser humano somente porque ele tenha nascido em outro pedaço de terra em nosso planeta. Não admito brigas que não sejam sadias entre torcidas. Não admito fronteiras humanas, seja de cor ou credo, acho que elas devam existir somente para a formação de uma sociedade e por uma questão de organização, ponto. Mas fora isso e respeitando nossas diferenças, somos todos humanos, os quais desenvolvemos a missão de nos relacionarmos e evoluirmos em sociedade. Que nosso legado dessa Copa de 2014 nos ensine que devemos sim ser brasileiros, porém, também somos cidadãos do mundo e devemos absorver e adubar nossas dores morais no fortalecimento do nosso caráter. Aprender com quem tem algo a nos ensinar, saber fazer nossas escolhas com pesquisa, entender que contra números não há argumentos e a partir daí darmos passos consistentes pra que cada vez mais abracemos o futuro com sorriso e não com lágrimas. O momento é pra sentir essa dor, e registrar em nossa memória que o passado não existirá para nos destruir e sim para nos ensinar a não cometer o mesmo erro ! Somos o país do futebol sim, temos uma bandeira sim, e daqui a 2 anos, mais uma vez o mundo estará aqui para nos visitar, desta vez não somente pelo futebol, mas por todos os esportes, e espero que até lá possamos voltar a soltar o nosso grito de guerra que é o sorriso e a felicidade de sermos um povo que sabe competir com alegria.

Cris Lima / Diário do Esportista

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A dor é pra ser sentida…

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